A história do nosso Instituto

Na década de 90 o médico Renê Xavier de Assumpção Jr., especialista em gastroenterologia e endoscopia digestiva, foi procurado para atender um egresso do sistema prisional, que durante anos apresentava uma grave úlcera de perna que evoluía sem cicatrização, consequência do uso contínuo de drogas injetáveis.

 A experiência do médico, registrada neste atendimento, conta que, ao ser removido o curativo, o qual estava totalmente umedecido pelas secreções expelidas da úlcera do ex-apenado, o consultório e parte da clínica foram invadidos por um fétido cheiro que exalava da ferida.

Neste momento, considerando o quadro clínico do paciente e ciente da necessidade de ser encaminhado para acompanhamento por um médico especialista em doenças vasculares e dermatológicas, o então jovem médico e recém-formado, decidiu como Cristão orar pelo rapaz em busca de ajuda imediata.

Foi para sua surpresa que neste exato momento ouviu uma voz em seu interior dizendo: “Ponha a tua mão na ferida e ordene que seja curada”, o que realizou naquele mesmo momento.

Ocorrido um período de tempo após este atendimento, Dr. Renê foi informado que a partir daquela oração em nome de Jesus, a lesão do rapaz iniciou um processo cicatricial, sendo esta experiência marcante para trajetória que seria iniciada no trabalho Cristão a presidiários.

Esta experiência proveu ao médico a compreensão de que poderia auxiliar muitos presos, sendo muito apoiado e motivado a prosseguir no desenvolvimento deste trabalho que vem sendo realizado até os dias atuais nos presídios do Brasil.

Jesus respondeu: “O que é impossível para os homens é possível para Deus”. Lucas 18-27

A esta experiência, o médico Renê Xavier de Assumpção Júnior soma seu alistamento à Cruz Vermelha Brasileira, destinado ao auxílio de pessoas em diferentes frentes de trabalho, independentemente de denominação religiosa, etnia, raça, classe econômica ou credo religioso, rejeitando qualquer forma de proselitismo, mobilizados exclusivamente pela primazia do amor de Cristo e na vocação de ajuda humanitária.

Cita-se nestas atividades desenvolvidas pelo IBRAGET o exemplo da vida de Jesus e Sua misericórdia com o ladrão na crucificação, acolhendo-o em sua necessidade e deixando ao mundo um modelo a seguir, que pode ser realizado através do serviço de visitação prisional.

 Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e foste me ver. MT 25:36

 

 Desta forma, o trabalho realizado com presos e seus familiares e dependentes químicos cresceu, passando a receber atenção e reconhecimento das autoridades do poder público, que identificavam transformações ocorridas nas suas vidas, após a pregação do Evangelho e do ensino Bíblico.

Como atividades que compõem a trajetória deste trabalho, registra-se algumas atuações marcantes como as que seguem:

O médico, Dr. Renê Xavier de Assumpção Júnior, iniciou seu trabalho com presos, ministrando aulas de biologia na Escola Estadual Irmão Miguel Dário, através do convite do seu diretor, Professor Guerra, onde, após o êxito no trabalho, foi convidado a visitar os presos no pátio do presidio anexo, Instituto Penal Irmão Miguel Dário para ministrar uma palavra de apoio aos internos.

Foi neste momento que, ao ingressar com o trabalho aos apenados no interior do presídio, os conceitos de biologia e medicina somaram-se aos ensinamentos bíblicos sobre princípios e valores cristãos, sobre amor e misericórdia, reconhecendo que neste contexto de criminalidade e incredulidade, não devemos nos apoiar unicamente na ciência humana, mas principalmente na força e no poder da pregação do Evangelho como veículo primordial à transformação de vidas e maneira de pensar através de uma renovação de suas mentes.

Foi então, nesta nova proposta de ajuda, que as abordagens ocorriam através de reuniões coletivas no pátio do presídio, sendo extremamente produtivas, mesmo não sendo dirigidas a um atendimento individual; e uma vez que a Palavra de Deus era anunciada realizava, em muitos, uma transformação completa das vidas daqueles que a ouviam verdadeiramente.

Outra experiência marcante para as ações realizadas hoje pelo IBRAGET, se reportam à experiência vivenciada no ano de 2007, pelo então Tenente da Brigada Militar Adair Paulo de Moura, que integra desde sua fundação a diretoria deste Instituto, quando foi designado para compor uma Força Tarefa da Brigada Militar e SUSEPE (Superintendência de Serviços Penitenciários do Rio Grande do Sul), na Penitenciária Estadual do Jacuí – Município de Charqueadas – RS, conhecendo o então apenado Sr. Lacir Moraes Ramos, anteriormente a sua transformação chamado de “O Folharada”, que liderava em sua galeria uma Igreja com mais de 180 presos de nome “A Estrela do Cárcere”, atuante até os nossos dias. Esta igreja, em momentos de rebelião interna no presidio, levantava a voz em oração pela pacificação da crise naqueles atos de convulsão.

Nesta ocasião, por volta do ano 2000, foi iniciada, em caráter emergencial, a construção de módulos de polipropileno, pela Secretaria de Segurança do Rio Grande do Sul, conhecidas como “Cadeias de Plástico”, destinadas a presidiários que haviam obtido progressão de pena do sistema fechado para o regime semiaberto. Contudo, permaneciam no regime fechado face a ausência de vagas. Esse cenário tencionou os relacionamentos nos presídios, visto que o poder público apresentava morosidade resolutiva desta demanda, face aos entraves e desafios de ordem econômica e de natureza executiva.

Na busca de resposta ao enfrentamento dessa crise instaurada no sistema prisional, foi criado pelo poder público um grupo de trabalho composto por uma equipe multiprofissional com integrantes provenientes de diferentes setores do governo, como Secretaria de Segurança do Estado, Secretaria de Justiça, Secretaria da Educação, Secretaria das Obras Públicas, Brigada Militar, Polícia Civil, Serviço de Superintendência do Sistema Penal e a Secretaria Geral do Governo.

Este grupo de trabalho governamental, que visava ampliar a análise de implementação do novo projeto, convidou integrantes do IBRAGET para participarem desta equipe, uma vez que reconheciam uma atividade de forte impacto social, pelos resultados pacificadores e relacionamentos de paz. Diante disto, o IBRAGET, no ano de 2011, desenvolveu juntamente com seu parceiro, a Sociedade Bíblica do Brasil, o programa “A Bíblia no Cárcere” para atingir os trinta mil presos nas mais de cem unidades prisionais do estado, na época.

Foi nesse momento que o Instituto se fortaleceu pela forte convicção de que deveria continuar e preservar o ensino bíblico nos presídios, reconhecendo a Bíblia como instrumento de transformação integral do ser humano.

Nesse trabalho, em especial, atuou em todo o processo de implantação do projeto, acompanhando todo o período de transferência dos apenados, onde foram realizados, semanalmente, cultos, louvores e ministração da palavra bíblica, através de reuniões nos pátios dos inúmeros presídios e demais casas prisionais, resultando em dezenas de batismos organizados em piscinas improvisadas, inclusive, como demonstração de consequente mudança comportamental.

É mister ressaltar que não foram registradas manifestações contrárias durante todo o período de transferência dos apenados, resultando em um reconhecimento ´pelo poder público da eficácia do trabalho realizado através do ensino bíblico.

A metodologia do projeto “A Bíblia no Cárcere” que encontra-se em atividade até os dias atuais com as diversas renovações de período de ação, envolve de forma resumida o que se segue, mas à disposição na sua integralidade nos Diários Oficiais do estado e nos autos da SUSEPE. Treinamento de voluntários, inclusão social por meio da leitura, distribuição de literaturas cristãs, bíblias, novos testamentos e a disponibilização de uma biblioteca para cada instituição prisional do estado, onde, através deste projeto, já foram atendidas as 88 maiores unidades prisionais do Rio Grande do Sul.

Desta forma, o trabalho tem se consolidado ao longo dos anos, passando a envolver reuniões regulares com Delegados Regionais da SUSEPE, diretores e servidores das casas prisionais do RS e participações eventuais na formação de novos agentes prisionais do estado, buscando apresentar a eficácia e a importância deste trabalho envolvendo a assistência religiosa, momento em que são apresentados os cases de sucesso do evangelismo realizado junto aos apenados, o qual tem recebido grande apoio para sua continuidade no interior dos presídios.

As experiências transformadoras de vida de ex-apenados são essenciais para o processo recuperação e ressocialização de presos e suas famílias no RS e no país.

Assim, no ano de 2015, foi organizado o primeiro encontro de ex-presidiários e suas famílias, ocorrido no auditório Dante Barone, na Assembleia Legislativa do RS em Porto Alegre/RS, momento em que foram reunidos 60 ex-apenados e familiares, e contou com a presença de diversas autoridades do poder público das esferas judicial, legislativa e executiva. Este modelo de encontro apresentou forte impacto social sobre a comunidade envolvida, sendo referência no Rio Grande do Sul e multiplicando-se para outros estados.

Dessa forma, visando atribuir ainda mais qualidade e excelência às atividades desenvolvidas, com ações mais estruturadas, através de parcerias firmadas com o poder público, o IBRAGET adquire personalidade jurídica em 26 de setembro de 2020.

Além do trabalho in loco realizado nas casas prisionais, hoje o IBRAGET constitui-se como referência nacional no trabalho de assistência religiosa junto aos presídios da União, intervindo em ações de paz a convite do DEPEN  (Departamento Penitenciário Nacional do Ministério da Justiça), na mediação de conflitos e rebeliões internas no Sistema Prisional do Brasil, tendo como metodologia de intervenção, nestas ocasiões de barbárie, a pregação do Evangelho e o ensino de valores e princípios bíblicos que promovem ambientes de restauração e de paz.

Como resultado deste trabalho, desenvolvido por meio do ensino Bíblico, e cientes que o IBRAGET desempenha um papel fundamental para o Estado e sociedade, promovendo a recuperação e resgate de vidas, em especial ao trabalho realizado nos presídios, o Instituto deseja continuamente estimular outros estados na adesão desta metodologia, por demonstrar de forma comprobatória a  eficácia na recuperação  e ressocialização de homens e mulheres que ingressam diariamente o sistema prisional, por comporem o cenário de criminalidade no país.

Entre as mudanças comportamentais identificadas na vida dos apenados, cita-se o abandono da promiscuidade e do uso de drogas, melhora nos relacionamentos interpessoais, com seus familiares e servidores públicos, diminuição dos embates e rebeliões, entre outros. Estes resultados fundamentam a importância da manutenção permanente do acesso à bíblias e literaturas cristãs nos presídios, bem como na realização do trabalho de capelania prisional o que complementa e dá continuidade ao trabalho desenvolvido pelo IBRAGET.

É necessário ainda mencionar que o cumprimento de pena, isolado de ações socioeducativas e espirituais, não viabiliza a recuperação social do apenado, e consequentemente não contribui na superação dos entraves sociais de um País.

Ao contrário disso, comumente percebe-se o agravamento no comportamento delituoso do indivíduo ao ser introduzido no sistema prisional, uma vez que passa a potencializar o comportamento desviante frente à convivência com diferentes presidiários e a ausência de metodologia eficaz para sua recuperação, bem como na convivência em um complexo e problemático sistema carcerário que demonstra esgotamento de sua estrutura, em face da superlotação dos presídios decorrente da crescente criminalidade.

Dentre as atividades desenvolvidas pelo IBRAGET estão ainda as ações socioassistencias, direcionadas ao atendimento de pessoas, famílias e grupos em situação de vulnerabilidade social e risco, visando à prevenção do ingresso na criminalidade e por consequência no sistema prisional. Isto implicou na necessidade de ampliação do trabalho e o efetivo alcance e viabilização de bens e serviços por meio da contínua articulação com as políticas públicas e com a rede de assistência, na defesa e garantia de direitos dos usuários da Política Nacional de Assistência Social – PNAS.